Ambos ocorreram exatamente após 30 anos de existência sob um regime totalitário (comunista e islâmico) e durante os quais as sociedades passaram de agrárias para urbanas;
Ambos tiveram, por estopim, a derrota de líderes reformistas (morte de Hu Yaobang e fraude na eleição de Mousavi);
Ambos ocorreram ao final de uma década conturbada na qual regimes semelhantes foram desafiados, enfraquecidos ou eliminados (legalização do Solidariedade em abril e vitória nas eleições polonesas em junho de 89; reformas liberalizantes na Hungria em 88; glasnost e perestroika em 86 na URSS; queda do muro de Berlin, deposição de Ceausesco na Romenia e Revolução de Veludo na Tchecoslováquia em 1989/ deposição de Saddam Hussein em 2003 e eleições livres no Iraque em 2005; deposição dos talibãs no Afeganistão em 2001 e eleições presidenciais em 2004; primeiras eleições nos Emirados Árabes Unidos em 2006; expulsão da Síria do Líbano em 2005 e vitória do partido anti-síria nas eleições de 2009);
Houve atuação externa direta (dos EUA) nos eventos que levaram ao enfraquecimento ou queda desses regimes totalitários de natureza semelhante.
Ambos ocorreram em junho, mas isso é só coincidência mesmo.
Com tantas semelhanças, é difícil, para mim, entender por que absolutamente nenhum comentarista sério (falo daqueles fora do Brasil, evidentemente) tocou nesse assunto. A única menção a Tiananmen é o medo de um massacre semelhante. Vai ver estou viajando...
Acredito que a causa última da revolta seja a consciência de que a liberdade é possível. Essa consciência, nos dois casos, foi adquirida pela informação sobre a queda de regimes semelhantes e a possibilidade de ajuda externa.
Acho que a foto da manifestação iraniana na qual um jovem segurava um cartaz onde se lia: "lembrem-se do que aconteceu com Saddam" resume meu ponto.